jul 8 2014

Visitado pelo Rei

Por quatro dias não haverá nada mais de mim que possa cair-lhe a vista. Talvez não nada, mas com certeza pouco. Uma pena ocasional, quem sabe? E após quatro dias talvez eu não tenha mais asas, ou os pedaços estarão colados e unidos novamente. Em quatro dias abrirá minha couraça, operará meu âmago, minhas farpas e meus anseios. Serei ainda um monstro? Uma mantícora, um grifo, ou um homem?


set 4 2011

There’s no heaven to the wingless…
– Eu mesmo


maio 29 2008

Unidade

Quão belas são as asas,
as penas pelo chão espalhadas.
O branco sobre o cinza,
a trama sobre o asfalto.
Gotas viscosas e rubras
que unem toda a obra.
Quão belas e terríveis,
as verdades que dilaceram.

Pequenas tais quais as penas
entre cacos de vidro.
E sobretudo numerosas
embora formem um único pesar…

jul 8 2003

Não há palavras em alemão

estou caindo,
murchando como uma planta mal regada…
sem motivo, sem razão,
sem porque ou talvez.
caindo,
como sempre
e não há palavras em alemão que possam me animar

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jul 4 2003

Fading…

I’m falling.
moving fast across the sky,
I’m falling,
quickly aproaching floor.

Still falling,
no wings left,
leaving a lot of feathers behind.

Wind hitting my face with violence,
hurting my eyes,
throwing all the good memories away.

I’m still falling,
and I can’t breathe.

Please, hang me.
Engel, don’t let me fall again,
not again…

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maio 30 2003

vingança

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abr 4 2003

Wingless

Correntes extendem-se de meus pulsos e tornozelos, esticadas, erguem me a meio caminho entre o teto e o chão. Escuridão imunda-me os sentidos. Que chão, que teto? Ouço somente o barulho das gotas ao encontrar outras concentrações de água. O ar é úmido e parado, somente o odor de mofo é perceptível.

Mas não eternamente. Na terceira noite, talvez no quarto dia o cheiro dos lírios se faz presente. Suave tal qual os passos que se insinuam atrás de mim. Eles param repentinamente. Não há respiração, nenhuma ansiedade. Ergo a cabeça cansada, procuro a fonte de minhas esperanças.

Um toque suave se faz sentir em minha asa. Delicado mas decidido, preciso. Ele percore as penas desde a base até o centro da asa, sentindo a textura de cada pena. Outra mão se faz presente na asa oposta. Parecem buscar conforto em minhas alvas plumas.

Mas então, como que num reflexo, se movem rapidamente até a base, ainda delicadas, ainda firmes. E puxam com força, com muita força. A dor é imensa, os ossos se quebram, os nervos queimam como o fogo, a carne é rasgada como tecido enquanto minhas asas são tomadas de mim.

Jatos de sangue morno escorrem por minhas costas, caindo como grosso caldo no chão abaixo. Há chão, realmente. Mas nada mais me importa, nem o chão, ou o som das gotas, ou o odor de lírio, nem mesmo a dor atordoante que me priva os sentidos. Nada importa mais que a ausência, o vazio que reside em minhas costas.

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