mar 27 2012

Coletor de Migalhas

Segue a comitiva entre os cães. Traz consigo peças diversas de armaduras presas sobre o gibão. Malha e placas, uma no ombro, outra no punho, talvez um gorjal amassado. Parecem ter sido coletadas e unidas a partir de diversos conjuntos diferentes. Tem consigo um escudo sem brasão. Foi apagado, ou rasurado há muito tempo.

A barba por fazer é falhada junto ao queixo. A face encovada e mãos ossudas que tremem ligeiramente. Os olhos sem cor, seguem fixos ao chão. Por vezes encontra algo a que atribui algum valor, e coleta. Põe tudo numa grande sacola que enverga-lhe as costas. Não parece haver muito, mas é suficiente para reduzir-lhe as passadas.

Dizem alguns que são as sobras da comitiva real que coleta. Outros, que é menos que isto. Mas ele parece não se importar, ao contrário, baixa a cabeça as críticas dos senhores e seus cavaleiros. Dizem que ele mesmo foi cavaleiro outrora, e que a espada que carrega a bainha, o único e verdadeiro presente de uma rainha.


fev 2 2011

das Perdas

É curioso como o ser humano dá mais valor às perdas do que as conquistas. Elas podem ser sentidas por meses ou anos a fio, mesmo que seus efeitos tenham sido há muito “superados”.

O buraco deixado por nosso sentimento de posse, a ausência da rotina, tudo isso nos atinge de maneira tal que muitas vezes abala todo nossa percepção do mundo.

Acho que, ao falar de nós, do ser humano, eu quis discursar sobre mim.
Eu sou  assim. Afinal, o que de humano tenho eu?