ago 20 2004

Quinta-feira…

Nossos projetos, escritos, nossos ideais e nossos futuros. Conversamos por algumas horas, e isto me deu um novo ânimo, um novo fôlego. Devo agradecimentos a minha amiga por ter-me compreendido e perdoado. Atitudes típicas de uma rainha.

E eu também passei algumas horas com “nossa” princesa. Estranho como este título se tornou familiar a todos nós. Eu me sinto um pouco receoso em tê-la nos braços, e me culpo por não estar sendo prepotente em desejar-lhe os lábios. Um mero cavaleiro almejando o amor de uma princesa?

- ah sim… eu vou enjoar de vc qdo eu enjoar de… hmm o.o… chocolate XD

Mereço?

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ago 2 2004

Diário de Viagem

Terça-feira a noite deixei Itajaí com destino a São Paulo. Eu mal podia acreditar, mas estava indo. Haveria show do Lacrimosa e eu passaria alguns dias agradáveis na presneça de uma amiga que eu considero uma irmã, a Dani.
Ela me buscou na rodoviária, me levou a casa dela e me encheu de mimos. A biblioteca dela está cada dia maior e eu pude folhear distraidamente vários livros que eu adoraria ter.
Liguei para a Amanda e combinamos de nos encontramos antes do show. Então eu, de maquiagem e sobretudo na saída do metrô. O Olympia é bem fácil de achar. Fica na rua do SESC Pompéia e depois das dicas da Dani até eu chego sozinho.
O show por si só foi um acontecimento e tanto. Não houveram cabeças batendo nem a galera cantando junto (ao menos não o tempo todo), mas foi divertidíssimo. O Tilo Wolff (vocalista da banda) é extremamente dramático e consegue impregnar a platéia do sentimento de melancolia que a música está carregada. Ele move-se como se tecendo no ar a melodia, agitando os braços tal qual um maestro. É impressionante!
A Anne (outro vocal) é uma solista de coral típica: linda e enigmática, como diz a Dani ela parecia uma sacerdotiza em meio aos rituais em pleno palco.
E eles realmente souberam escolher as música. Impossível citar todas mas, Copycat, Darkness, Alleine zu zweit, Stolzes herz, Alles Lüge e Ich verlasse heut dein Herz…
O show acabou a 24:30 e tivemos de esperar até as 5:00 pela volta do metrô para retornar a casa da Dani. A Amanda gripada estava congelando de frio. Tive que serví-la do meu sobretudo.
Dormimos por quase todo o dia seguinte, assistimos ao Hamlet (com Mel Gibson) e então retornamos a Amanda para casa. Sexta foi dia de Zoólogico, um dia pacato e agradável, no qual conheci a Ana, melhor amiga da Dani. Fotos e mais fotos além de cenas bastante incomuns para mim, do urso pardo tirando uma soneca a harpia devorando um rato.
e no sábado a Dani me levou a rodoviária logo cedo. E foi uma bela despedida e uma longa viagem de volta.

Domingo tirei o dia para descansar e rever minha princesa.

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jul 13 2004

Bastard Sword

bastard sword: (also known as hand-and-a-half sword) large, double-edged sword with a long grip which could be wielded with either one or two hands
- Medieval Glossary of Babylon

Minha rainha me presenteou com uma espada. “Um cavaleiro não estará completo sem uma”, disse. E eu não tive palavras para agradecer.
Vou fazer o possível para honrar o presente.
Não, desta vez não falo através de fábulas.

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mai 12 2004

Lorde Negro III: A Rainha de Vidro

Com os olhos fixos no horizonte, Johan permanecia de pé sobre a muralha semi-destruída que limitava o pátio da fortaleza. Notou então as luzes que tremulavam na estada e voltado a seus companheiros gritou:
- Estão vindo!
Sobre o calçamento destroçado um lobo adormecido ergueu a cabeça e rosnou para o alto, mas foi logo acalmado pelas mãos calejadas de seu instrutor. Ao lado dele, o cavaleiro de túnica também levantou-se, segurando seu elmo.
Conforme os cinco cavaleiros se aproximavam, a lua descobria-se de seu manto sombrio, lançando uma luz leitosa sobre o pátio, refletindo a estátua de vidro fosco sobre o pilar central. Uma estátua em tamanho natural de uma dama pequenina, envolta num manto delicado que lhe descia aos pés, segurando contra o peito uma rosa cristalina. A estátua não era translúcida, ao contrário, fosca e esbranquiçada.
O primeiro cavaleiro a adentrar o pátio somente fora notado quando sua forma sombria atravessou os portões. Tinha um manto negro encobrindo-lhe o elmo e as costas e este parecia mover-se com vida própria. Desmontou e caminhou lentamente sobre as pedras.
Uma estranha canção iniciou-se de lugar algum, com notas agudas e confortáveis, inebriava os presentes de estranha apatia. As palavras mal podiam ser ouvidas, mas as notas preenchiam o ar como que transformando a noite em dia.
Uma lágrima cristalina brotou de um dos olhos da Dama de Vidro. E neste instante, a forma fantasmagórica do Lorde Enforcado apareceu, como que conjurada em meio as névoas. Tinha os cabelos desgrenhados, a feição era contorcida em ódio, e seus olhos estavam fixos em seu objetivo: o Cavaleiro Sombrio.
Silenciosamente caminhou até ele, com a espada erguida em ambas as mãos. O cavaleiro também desembainhara a sua e o primeiro golpe a ser ouvido foi o choque do metal. Mas a lâmina do enforcado atravessara a espada do cavaleiro sombrio, indo cravar-se em sua armadura, sobre o ombro.
Talez ele houvesse sofrido com o golpe, mas dentro de seu elmo sua face era invisível e grito nenhum fora ouvido. O que se seguiu foi um duelo silencioso de espadas que desapareciam em meio as sombras que formavam do manto do cavaleiro.
Conforme as lágrimas fluíam sobre os olhos da dama, os golpes do cavaleiro sombrio se tornavam mais certeiros, e volta e meia não trespassavam o corpo etéreo do seu oponente, que gritava blasfêmias em desafio.
Em um esforço final, estocou o cavaleiro sombrio forçando sua espada a atravessar as falhas da armadura, surgindo em suas costas. Novamente não houve expressão de dor ao cavaleiro, mas sua manopla ergueu-se e segurou com firmeza o punho do oponente. Ele tentou livrar-se, mas em vão. Ergueu com força sua própria espada e num único golpe separou definitivamente a cabeça o lorde de seu corpo, que desfazia-se nas névoas.
Vitorioso, avançou a passos lentos em direção da estátua. O canto se tornava mais forte e decidido, sua voz era satisfação e júbilo e assim que a manopla do cavaleiro tocou sua mão de vidro, a capa sombria caiu ao solo, espalhando as peças de metal por sobre as pedras do pátio.
Lágrimas verteram-se dos olhos da Rainha de Vidro, que partia-se aos poucos, liberando blocos de vidro que se desfaziam-se ao chão. Restara pouco mais do que uma forma difusa com sinais de uma beleza perdida.
E nesta noite três dos senhores sombrios foram libertos das brumas dos Domínios do Terror. A não ser que os Poderes Sombrios tivessem outros planos.

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abr 27 2004

Rainha de Mármore

Minha amada rainha,
longamente aguardo teu chamado
e desejo o doce trinado de tua voz…

Minha amada rainha,
tão longos os dias que não a vejo,
eternidades que se propagam na memória…

Aguardo,
o canto que talvez nunca virá,
nos versos lírico
e no clamor suave das notas agudas…

E sempre que o poente tinge o céu
despertando lampejos em minha visão
eu desejo teus olhos sobre mim
determinados…

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out 10 2003

Os últimos instantes de um Guardião

A casa de campo não suportaria o ataque por muito mais tempo. Não era uma fortaleza e, apesar das paredes de pedra e alicerces sólidos, as portas e janelas cederam rapidamente.
Em seu aposento, a rainha Gwenllian dobrava os vestidos, pondo-os cuidadosamente numa grande urna. Havia uma certa tristeza em seus gestos. A guarda real pouco conseguia entender das atitudes da soberana, mas aparentemente não havia muito a ser feito. Winfred e seus dois companheiros eram a última linha de defesa.
Ela parou por um momento em frente a cômoda e ergueu a tampa da caixinha de música. Uma melodia suave e metálica preencheu o aposento, contrastando instensamente com os sons brutais que vinham do andar térreo.
Winfred voltou-se para Duncan, ordenando que ficasse diante da porta. Olhou nos olhos de Earl; ambos sabiam o que devia ser feito.
Saindo do quarto, desmbainharam as espadas e desceram as escadas apressados. Os últimos sentinelas e servos leais estavam sendo subjugados frente a tropa inimiga. Havia sangue espalhado pelo chão e as mesas de jantar haviam sido viradas como barricadas que se mostraram ineficazes.
Uma dúzia de soldados de mantos cinzentos ocupava o salão, e mais uns dois fomoris gigantescos, que por pouco não passaram à porta. Earl e Winfred investiram contra os soldados, derrubando dois deles quase que imediatamente. Um dos fomoris ergueu Earl pelo pescoço, quase separando sua cabeça do corpo. Winfred foi atingido por duas flechas, no peito e na coxa, mas não fraquejou.
Noutro passo, trespassou as defesas de um soldado golpeando-o á altura do pescoço. Mas este golpe foi amplo o suficiente para abrir sua guarda. Um dos soldados correu a seu encontro e perfurou-lhe uma lança entre as costelas. Winfred caiu.
Permaneceu vivo por tempo suficiente para ver o tenente atravessar seu pescoço com a lâmina de sua própria espada que permaneceu erguida, presa entre os degraus da escada.
Sabendo que a rainha estava desprotegida, a tropa seguiu para o andar superior e foi desafiada pela presença sólida de Duncan em meio ao corredor. Havia mais chances de vencê-los assim, um a um. Mas, desafortunadamente Duncan sobreviveu somente a três assaltos e caiu sob a lâmina do machado de um dos soldados.
Havia um sorriso sarcástico nos lábios do comandante quando punha a mão na maçaneta. Dentro do cômodo, a rainha voltava suas costas para a parede, divisando o manto cinzento por detrás da fresta. A melodia suave preenchia o quarto e avançava pelo corredor, melodia que Winfred conhecia muito bem, que sua irmã lhe cantarolava em sua infância.
Sua irmã havia morrido por um descuido seu, um breve momento de medo. Não se podia culpar uma criança por isto. Mas não um adulto… não deixaria que ferissem Gwenllian como fizeram a Annabelle.
Ouviu-se um som rasgado e um grande baque surdo quando o fomori tombou sob o piso de madeira. As próprias vigas da estrutura gemeram com o golpe. A espada de Winfred se ergue em sua mão, coberta em sangue negro.
Outro soldado avançou em sua direção e golpeou-o no peito com o machado. A força do golpe foi tanta que Winfred foi jogado para trás, mas permaneceu de pé. Sequer havia em seu rosto sinal de dor. Com mais um golpe, tombou o portador do machado. Os três homens no corredor ainda olhavam para ele assustados. O sangue vertia-lhe do peito e do pescoço, mas ele sequer cambaleava.

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