fev 4 2011

Ó Noite

Quem dera ó noite você aqui,
Quem dera a noite você prá mim.
O sol nunca mais o céu raiar,
em dourado não mais traçar.

Quem dera ó lua teu toque frio,
encontrar-me sobre a mesa ébrio
a sorver da mágoa lentamente
o sangue, tão amargo aguardente.

Rasga-me a garganta, de afasia,
furta-me os versos, minha poesia
e deixa-me a cair.

Para o seio cálido da noite
onde enfim me faço amante
até a aurora surgir.


set 5 2008

Livre Enfim

Não estava atento quando Victória surgiu. Passou por ele como se não o reconhecesse e carregou seu sorriso na sacola de compras dela. Havia pães, leite e alguns indispensáveis femininos além do chocolate que levava nas mãos…

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out 31 2005

Samhain

Lembro de ter lido certa vez no Irish Folk and Faerie Tales sobre o Samhain, que ocorre no hemisfério norte na noite de hoje, e amanhã a noite começam as festividades do Día de los Fieles Difuntos. Mas é só isto; para mim muito trabalho de faculdade.

Ferio e a Ruko se juntaram lá em casa para ver Noir e os Simpson; a Juliete apareceu depois, o que rendeu sorrisos e sangue. Mas a pizza foi boa ontem, e em ótima companhia. E decididamente, eu não sirvo para jogar boliche

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jul 6 2005

Mãos

Estas já passaram por muitas coisas: já tocaram fios desencapados, receberam talhos de facas e tesouras, mordidas, já foram arrastadas contra a parede, violentamente…
Ainda guardam marcas, algumas, de dias mais sofridos. Uma vez voaram contra o piso do banheiro. Racharam-no. Algumas vezes.
Calejadas já ergueram pás da terra ou satisfeitas removeram dela cenouras vistosas; agilmente teceram frases na mais alva folha e tão maquinalmente construíram interfaces digitais.
Minhas mãos realizaram feitos de que muito tenho a me orgulhar; já ergueram uma espada, colheram flores ergueram taças; já despertaram uma princesa de seu belo sono.
Admira-me o fato delas serem duas, e ao mesmo tempo formarem algo tão único, numa sincronia tão perfeita.

E, falando em mãos, Edward Mãos de Tesoura será transformado em musical

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out 19 2003

Cinzas em meu Leito

Durmo pensando em ti,
acordo com o teu olhar.
Sangue na pia do banheiro,
lábios cortados,
dilacerados.
Uma adaga gélida
que me perfura o ventre
e desliza até o peito.
Olhos úmidos,
mas sequer uma lágrima é derramada.
Não posso.
O único gotejar é do sangue
que escorre
lentamente
pintando o chão de vermelho.
Você a minha frente.
Estendo a mão,
mas não consigo tocar-te,
tua imagem desvanece,
tal qual um fantasma,
uma ilusão,
que me atormenta os sentidos.
Há dor em minh’alma
e cinzas em meu leito.

PS: não quero explicar o porquê disto. Eu mesmo ainda não sei exatamente o que aconteceu e, antes que eu possa ter certeza, quero ficar só na minha melancolia.
Maldito computador mal configurado. Toneladas de metal gótico a meu alcance e ele não se dispõe a tocá-los.

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ago 19 2003

Simples Constatação

O sangue jorra,
lentamente desce pelo braço
e escorre através do guarda-mão
manchando a lâmina alva

O braço caído,
a ponta afiada apoiada contra o sol
sustenta o corpo exausto
de um guerreiro ferido

As pernas tremem,
sua visão borra, a mente turva
e ele cambaleia

E cai,
como um anjo sem asas
tomba ao chão

PS: eles ainda marcham

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maio 12 2003

Ausência. Distância. Negligência. Carência

Lâmina nova, afiada, mortal… ferindo aqueles que se aproximam demais, aqueles que mais querem o meu bem. Sangue em minhas mãos… sangue que não é meu. Sangue que eu não queria.

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maio 1 2003

Rosas Vermelhas

Tudo tão branco, um imenso vazio alvo e pálido. Como uma folha de desenho. Mas não há desenho algum, sequer um único traço.
Passos delicados me chamam atenção. Sapatos de vinil, pretos. Eu vejo, eu posso vê-los. Resplandecem com o sol do fim de tarde. Ela está linda… como sempre esteve. Linda num vestido preto, um tubinho simples, com palavras fúteis em letras garrafais brancas no peito. Alguns fios teimosos do cabelo avançam sobre a face, desferindo uma curva que finda-se em seus lábios rubros. Tão delicados, finos e belos. Não carnudos e envolventes, seus lábios são finos e sorrateiros, seu beijos sempre foram furtivos.
Eu aguardava a visita dela. Tanto tempo desde a última visita ao hospital. Seus olhos estão vermelhos, cansados… ela esteve chorando, chorando por mim. Tenho pena dela, vontade de abraçar e confortá-la, mas nem posso levantar-me, ou tocá-la. Ela chora por mim.
Em suas mãos um delicado ramalhete de rosas, rosas brancas… brancas…
Não esperava brancas. Porque brancas? Elas são tão frias e silenciosas, alvas e pálidas. Branco como tudo aqui. Trazem conforto e afeto, mas não me trazem meu desejo…
Não são rosas vermelhas… queria que fossem vermelhas, vermelhas como o sangue, como o desejo e a fúria, a luxúria, vermelhas como seus lábios. Deveriam ser vermelhas.

Deveria ter postado há algum tempo já. Mas não estava preparado, não havia sido reforjado ainda. Agora sim, depois de tudo o que se foi eu posso postar outra de minhas breves poesias góticas, devidamente alterada depois de alguns comentários muito valiosos da Elen Eressea. Estas alterações deixaram mais claro o sentido da poesia.

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abr 8 2003

Caído em Batalha

Surpreendido, sinto somente um golpe surdo no peito, um ruído oco. Os elos da malha se partem. Não há dor ou desconforto, somente a sensação de incômodo, uma farpa presa no peito.
Avanço decidido, fazendo a espada descer sobre o pescoço do oponente a minha frente em meu próximo passo. O seguinte já não se torna tão fácil quando a garganta seca repentinamente e a respiração não me traz o desejado oxigênio consigo, mas sim uma sensação de agonia e sufocamento.
Então eu sinto a dor, talvez retardada pela fúria da batalha, talvez por algum artifício do destino cruel. Ela força-me o peito, impedindo a respiração, enchendo meu pulmão de meu próprio sangue. As pernas fraquejam, o próximo passo não chega a findar-se. Ajoelho-me, apoiado na espada como a uma bengala.
Apoio-me totalmente em minha vontade e forço-me a erguer-me na força de meus braços. O gosto férrico e amargo sobe até minha boca, ardendo como fogo enquanto o sangue escapa-me entre os dentes. Minha força se esvai totalmente.
As pernas tremem enquanto, tentando respirar, começo a ter espamos. A visão se torna turva e escurece. O único odor que ainda distinguo é o de sangue que exala de meu próprio interior. Sinto o solo sob mim.
Mas não termina aí, não enquanto convulsionando, meu pulmão busca ainda o ar até que se sufoque totalmente em sangue. Não há o frio da morte, não a consciência ou a lucidez de um golpe fatal. Desesperado, meus gritos se abafam em minha própria garganta, enquanto morro afogado em meio à batalha.

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