nov 24 2016

Eu tive que deixá-la ir

Eu ainda a via no canto do meu olhar.
Me acompanhava silenciosa, cautelosamente,
me seguindo onde quer que eu fosse.
Me assombrando talvez?

Era feita de sentimentos não resolvidos,
de beijos nunca dados, traição nunca consumada,
repleta de piedade e desejos de bem-estar.
Era como estar de volta.

Quando chegava em casa ela me alcançava na porta.
E enquanto procurava as chaves no bolso,
reinava sobre nós aquele silêncio embaraçoso.
Eu tive que deixá-la ir.

A lâmina tremeu um pouco ao passar pelas costelas,
arranhou a parede ao fundo, manchando-a de carmesim
enquanto ela escorria aos meus pés.
Ainda tão silenciosa.

Arrastei-a para fora e enterrei no pátio em frente,
debaixo de uma árvore que os corvos reclamaram para si.
Revezam-se ao vigiá-la… para que não volte.
Para que encontre seu caminho para casa.


ago 16 2013

Melhor…

– Ser infeliz não vai te fazer uma pessoa melhor!

– Será?


set 21 2012

In two seconds I will hit the ground…

let it rain… enter rain… exit pain…
– Enter Rain, Pain of Salvation

Para mim a chuva sempre teve o sentido de cura, restauração, libertação.
Gotas gélidas que penetram a pele, carne e chegam até os ossos.
Amenizam a dor, retiram os coágulos e dispersam os fragmentos.
Pedaços de um ser esfacelado, um anjo caído….


set 20 2012

Experiência do vôo

Alçar vôo, desbravar os céus por sobre as nuvens, ganhando altitude em cada corrente ascendente. Descrever círculos no ar, acompanhado dum par de asas e observar, da imensidão, o objetivo de forma mais clara.

Para mim o vôo termina quando as asas se vão, sós em busca de seu objetivo único. E eu, fico para trás, a vislumbrar o chão, cada vez mais perto…