fev 10 2015

O Tempo

Assim mesmo como as ondas avançam para a praia de pedrinhas,
Assim mesmo nossos minutos correm para seus fins;
Cada qual trocando de lugar com aquele que vem antes.
Em seqüência laboriosa, tudo vai seguindo em frente,
A natividade, uma vez já esteve no apogeu da luz,
Se arrasta à maturidade, onde sendo coroada,
Eclipses maldosos lutam contra sua glória,
E o Tempo, que deu, agora arruina o seu presente.
O Tempo trespassa o florescer que havia colocado na juventude.
E imprime os paralelos na testa da beleza;
Se alimenta das raridades da verdade da natureza,
E nada há que se levante, exceto que sua foice vá podar,
E contudo, aos tempos em esperanças, meu verso se quedará,
Louvando teu valor, apesar de sua mão cruel.

– Soneto LX, William Shakespeare

PS: com alguma inspiração extra por Inbetween Days, the Cure


mar 1 2012

Sobre a Desgraça

Gostaria de me explicar brevemente sobre a indignação de ontem.
Existem vários textos que circulam a internet, em correntes ou apresentações extremamente elaboradas e que são falsamente atribuídas a escritores reconhecidos, Shakespeare em especial. Isto me revolta!
Estes textos de auto-ajuda, populares e em termos atuais pouco condizem com a melodramática obra do autor que fala não tão somente, mas em especial, do amor, a dor que o causa, o tempo e a perda.

É possível que ele nunca tenha existido, é verdade, e seus escritos venham de diversos autores reunidos por um agente empresário, ou que seja um pseudônimo para um nome muito mais humilde. Mesmo isto não serve para desvalorizar ou denegrir a magnífica obra do autor.

Dizem que a ignorância é uma bênção, e parece-me que a sociedade atual concorda, alienada ao real, forja uma cultura falsa que tão brevemente estará infundida nos círculos denominados “intelectuais”, como discursos de graduação em bacharelado.
Ops, isso já aconteceu, e eu presenciei.


fev 29 2012

Desgraça

Ela cita Shakespeare como quem lê,
correntes de internet e não Sonetos…


fev 3 2011

Polônio

Tem cuidado em não entrar em uma briga, mas uma vez nela, faze tudo para que teu adversário sinta temor.

– Hamlet, Cena III, Ato I


abr 20 2007

Como seria?

Com Werther foi violento, impulsivo e emotivo; com Ofélia foi angustiante, sufocante e frio; com a Sylvia sereno, plácido e inebriante.
Comigo, como seria?

› Continue lendo


mar 29 2007

Ofélia

Ela estica as garras e alcança o céu,
rasga o firmamento sem esforço
e faz vazar leite das estrelas
que cascateiam por seus cabelos
tingindo de argêntea sua tez
legando uma cicatriz leitosa,
evidenciando os seus castanhos
com o radiar distante de Sadalsud

› Continue lendo


dez 14 2004

Julieta

Só ri das cicatrizes quem ferida nunca sofreu no corpo.
Mas silêncio! Que luz se escoa agora da janela? Será Julieta o sol daquele oriente? Surge, formoso sol, e mata a lua cheia de inveja, que se mostra pálida e doente de tristeza, por ter visto que, como serva, és mais formosa que ela…
– Romeu; em Romeu e Julieta, de William Shakespeare

› Continue lendo


maio 22 2003

Va, pensiero…

Ouvindo música clássica nos últimos dias. Bach, Beethoven, Onegin, Verdi, Wagner, Tchaikovsky… A inspiração é boa, só precisa ser melhor direcionada.
Nada tem mudado demais. Estou devendo e-mails para a Dani e esperando a Kione voltar a falar comigo, ela não estava muito legal ontem.
Meu irmão passou para outro médico e só vai dar entrada no hospital para a cirurgia na semana que vem.
Bem, prá finalizar, a frase do dia:
A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe.
Depois disso, só lendo “Sonhos de uma Noite de Verão”.

› Continue lendo