Sob a cama
Você é meu silêncio,
decomposto e esquecido
sob o estrado da cama…

- Minha mãe perguntou qual o livro você estava lendo.
É bom ser reconhecido pelos meus hábitos novamente, sejam os literários, poéticos ou boêmios. Isto me remete a uma época em que o frio imperava durante as manhãs e as noites e eu poderia ser visto vagando em silêncio, com um livro em mãos, imerso em um mundo que não o vosso.
E hoje a lembrança se aviva: há novamente um livro com páginas marcadas ao meu lado e um agasalho para as manhãs mais gélidas. Enquanto sigo errante para ou do trabalho leio contos do Neil Gaiman em Coisas Frágeis ao som melódico do Sonata Arctica.

- Ela disse que você estava bonito em claro.
Nunca me admirei em verdade. Não me acho narcisista ou devotado a aparência e, neste caso não acredito que era ao meu cabelo desgrenhado e barba por fazer que se referia. Mas vestia uma camisa de flanela branca e cinzenta e acredito seguramente, que o elogio se deve a meu porte e a aura que irradio quando confronto esse saudosismo envergando minhas cores cinzentas, o branco sobre negro, as virtudes sobre meus ressentimentos…
Algumas vezes surge no meu peito um grito que eu mantenho abafado. É um grasnado gutural, › Continue lendo
Outubro foi um mês de silêncio, que acredito agora ter findado. Houveram muitas coisas, fatos e histórias a serem contadas, mas poucas palavras para descrevê-las.
E então houve silêncio… silêncio que favorece a reflexão… silêncio em honra dos que partem.