mar 26 2012

Bastet

Chegara em casa cansada e abatida. Junto aos ombros, colo e nas pálpebras inferiores trazia a rastejarem pequenas mágoas. Cada qual possuía pequenas quelíceras, pedipalpos e ferrões que cavavam a pele e enterravam-se na carne.

Assim que abriu a porta, a gata doméstica veio-lhe ao encontro, esfregando-se na barra da calça. Brincava, como que valsando com seus sapatos e miando exigia veneração e oferendas.

Aproximou-se do sofá e desabou, espalhando ao chão as pequenas mágoas rastejantes. A gata parou por um momento a observá-los, mas por fim se lançou sobre elas, esviscerando, desmembrando e devorando-as todas.


jan 19 2012

A Contenda

Uma flâmula azul tremulando no horizonte foi o que me chamou atenção naquela tarde. Havia, é claro, nuvens de poeira e o clamor do aço contra o aço mas o cisne argênteo sobre o campo l’azure capturou meu olhar. Conhecia o estandarte, conhecia seu portador.

Saltei de sobre as muralhas e corri a seu resgate, temendo pelo pior. Mas sequer poderia se comparar ao que eu veria em campo: o cavaleiro, portando completa armadura de placas conduzia seu garrano violentamente contra um oponente idêntico a si.

O choque das lanças arremessava lascas de freixo, algumas tão extensas quanto meu antebraço, ao ar. Escudos tinham as tinturas gastas pelo embate e as placas aqui e ali apresentavam deformações diversos. Em lastimável estado se apresentavam os cavaleiros, ofegantes e exaustos da batalha.

Eu não podia ver suas faces e a falta de discernimento não permitiu-me tomar partido embora, nos movimentos de olhos e gestos de ambos os reconheci o guerreiro sob a armadura. Meu amigo duelava contra si, indeciso sobre desistir ou subjugar a si mesmo. De imediato, larguei a espada e adotei meu papel na contenda: seria eu a confortar o derrotado.


abr 11 2011

Valor de um Resgate

“Não há como resgatar os que morreram, Nihal. Não há no mundo qualquer tesouro bastante precioso para resgatar uma única vida.”
- Ido, em A Garota da Terra do Vento, Cônicas do Mundo Emerso

Nesta manhã, enquanto questionava o meu valor, surpreendi-me com este trecho. Acredito ainda que minhas dúvidas acerca de mim mesmo são válidas, mas perdem e muito o sentido quando comparadas àquelas sobre as pessoas que eu sofri em ver partir.

Lembrei-me de minha amiga, tão cheia de vida e radiância e intui, que sua vida – principalmente agora – é muito mais valiosa do que a minha, e de que qualquer outro tesouro que eu ousasse conquistar para resgatá-la.

Me conforta somente o fato de que, um dia, valerá também a minha tal exorbitância. E por causa disto, não haverá ninguém capacitado a resgatá-la.


mar 9 2011

Obras em Vanaheim

Há um lar para os elfos chamado Vanaheim, o reino dos Vanir. É um lugar de prosperidade, de magia e beleza incrustado no seio verde de Asgard.

Por vezes mesmo os elfos precisam reconstruir suas moradas, expandir seu domínio e ocupar melhor os espaços. Fazem esta muda para que a prosperidade possa germinar ainda mais, amparada em sua dedicação e criatividade.

E é neste momento que os Æsir põe seus pés em Vanaheim, trazendo consigo martelos, trompas e seu notável vigor para o trabalho. Juntam-se as mãos e, mesmo que ao fim de uma era hajam cicatrizes e cansaço, o prêmio é imensurável.

Pois a palavra Vanir define a própria amizade.


mar 4 2011

Amar-te ia

Lembra quando nos vimos pela última vez?
Você me ofereceu um abraço e um beijo
e mesmo após longos anos sem nos falar
me convidou para beber contigo?

E eu todo ocupado respondi que gostaria,
mas não havia como, não tinha tempo.
“Talvez numa outra vez, talvez em junho”.
Mas junho nunca veio.

E você me olhou daquele jeito e eu percebi
que era o mesmo olhar que eu já conhecia.
E como se não quisesse que eu me fosse,
me abraçou.

É difícil pensar que iria acabar um dia,
e que aquele poderia ter sido nosso último café.
E me dói pensar que não terei outra chance
para abraçar você.

Eu deveria ter encontrado um tempo,
ter encontrado um jeito, ter parado de pensar.
Mas agora você se foi e aquela bebida é
muito tarde para aceitar.

Quantas vezes tentei corrigir meu erro,
e voltar àquele lugar, se você ainda estivesse lá
eu desejaria que não fosse tarde demais
para voltar.

Estes versos que eu tento escrever a meses são inspirados na partida de uma grande amiga minha em conjunto com a repetição quase incessante da música Cut Here, do the Cure.


mar 2 2011

Novidades

Nesta segunda recebi a notícia de minha aprovação no seletivo para o mestrado, acompanhado por um e-mail de minha orientadora questionando as disciplinas que eu gostaria de participar.

Enviei também um e-mail para uma amiga minha parabenizando-a pelo sucesso no Desafio Solar em que a equipe dela, estreante, ficou em quarto lugar. Recebi uma resposta bem-humorada e uma série de boas notícias.

E então me vi com novos objetivos, reavendo as amizades e animado novamente.

Obviamente não durou muito. Já ontem me deparei com a minha falta de vontade e o meu fatalismo exacerbado: não sei o porquê destes novos objetivos e pressinto que logo levantarei farpas contra os mais próximos novamente.


jul 18 2005

Aqueles que Transformam a Minha Vida

Foi um final de semana turbulento; altos e baixos… eu estava preocupado com os lances da internação da minha mãe e os ânimos do pessoal lá de casa e acabei descontando em quem não devia (leia-se Ferio e Julie), mas eles foram pacientes e cuidadosos comigo; me acalmaram e me ergueram nos momentos em que eu mais precisei. Deus sabe o quanto eu devo a estes dois, e outros tantos amigos que não me deixam só na frente de combate.
O Ferio é um amigo de poucos anos, mas que parece me conhecer a vida inteira; já a Juliete é uma princesa como poucas, uma florzinha delicada e de espinhos pequeninos que enche meus olhos de radiância e minha mente de sonhos.
Espero um dia poder retribuir a eles toda esta dedicação

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mar 2 2005

Morto o Dragão

Foi um longo final de semana, atribulado e stressante; mas nós vencemos. Eu digo nós porque boa parte da minha equipe ajudou, e ajudou bastante. A batalha me privou um tempo precioso dos meus amigos e da minha princesa, que também precisava bastante de mim.
E por isto eu peço perdão; a Dani que eu ainda pretendo responder, ao Toni e todo o povo do grupo de RPG de domingo, e também a Julie, claro.
O dragão me surpreendeu, mas eu não me desesperei, ao contrário, me planejei e investi contra ele, embora isto comprometesse a minha defesa. Mas foi um ataque planejado, em várias frentes, e nós vencemos; sem baixas, sem danos maiores.
E agora reparando a armadura arranhada.

Terminei o Peter Pan duas semanas atrás e li neste meio tempo um livro sobre animais fabulosos que comentarei aqui. E no momento, um livro mais técnico: the Zen of CSS Design, um belo estudo da equipe do CSS Zen Garden

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fev 1 2005

Final de Semana

Não há do que reclamar. Sabe, a minha irmã casou no sábado a noite e a festa estava decente (para uma festa de casamento, claro) além do que eu tive que participar como testemunha da união. Eu fiquei feliz por ela, claro; porque ela tem um rumo e está perseverante em trilhá-lo.
Eu também visitei alguns amigos na casa do Antônio e estamos planejando uma nova campanha de RPG baseada nas histórias que construímos na campanha anterior. Vai ser bom jogar novamente. Julie quer jogar conosco e isto foi o que me deu a inspiração.
Ganhamos um final de semana juntos; e eu não poderia esperar mais… ela fez com que dois dias ao seu lado parecessem um paraíso.

Mas a Semana Começou…
E as más notícias já estão chegando. Tenho amigos stressados e pouco pacientes e outros decepcionados e necessitando de apoio. Eu gostaria de estar ao lado de todos, mas mesmo que eu pudesse, que diferença isto faria?
E, apesar do que eu escrevi na sexta-feira, eu não me considero intolerante ou preconceituoso. Eu não culpo as pessoas pelas escolhas que fazem (ou mesmo as julgo por isto), mas eu realmente abomino a banalidade a que as palavras “amizade” e “amor” foram submetidas.
Mas acho que mudei, e já não faço tudo o que digo. E eu me arrependo disto, de perder uma certa sinceridade e boa vontade que outrora eu possuía. Quero culpar algo por isto, mas acho que só posso conservar (ou restaurar) o que eu era mantendo-me longe deste mundo concreto e prático

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out 13 2003

Nenhum de Nós

Nenhum de Nós

Fui ao show na Marejada na sexta. Nem o Open havia me empolgado tanto nos últimos tempos. Valeu enormemente a pena, pois o show estava ótimo e a compania era das melhores.
Dentre os eventos da noite, gostaria de mencionar um (com certeza o mais engraçado):
Estávamos o Ferio, a Milena, a Fátima e eu. Resolvemos pegar a mochila do Ferio no guarda volumes e deixamos as meninas na frente do barzinho. Claro que, ao retornar, três minutos depois, já haviam dois gaviões papeando com as garotas. Vale aqui ressaltar que somos somente bons amigos.
O Ferio se apressa e praticamente agarra a Milena, levando ela para um canto mais afastado, fazendo a maior cena. Eu chego junto e direciono aquele olhar nada amistoso aos dois manés, no maior estilo namorado ciumento. E depois olhei para a Fátima com aquele padrão de “o que está acontecendo aqui?
Um pouco surpresos com a nossa reação, os carinhas logo deram no pé… Nós mal podíamos nos conter e rimos um bom tempo por causa da reação deles. O Ferio deve comentar em seu blog o caso na visão dele, e deve ficar ainda mais engraçado.
Divertido… imensamente.

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