nov 1 2013

…no fim do caminho

Um lampejo de ressentimento. Já é difícil o bastante estar vivo, tentando sobreviver no mundo e encontrar o seu lugar nele, fazer as coisas de que se precisa para seguir em frente, sem se preocupar se aquilo que você acabou de fazer, o que quer que tenha sido, foi o suficiente para a pessoa que,se não morrera, desistiria da própria vida. Não era justo.

– O Oceano no Fim do Caminho, Neil Gaiman


ago 5 2013

Must Read

“Assim eu concebia, assim eu me explicava as coisas, e, à medida que os anos passavam, já sentia quase medo de revê-la, pois sabia que nos encontraríamos num lugar em que Lucie não seria mais Lucie, e que eu não teria mais como reatar o fio. Não quero dizer com isso que havia deixado de amá-la, que a esquecera, que sua imagem desbotara; ao contrário; ela morava em mim dia e noite, como uma silenciosa nostalgia; eu a desejava como se desejam as coisas perdidas para sempre. E como Lucie se tornara para mim um passado definitivo (que, como passado, vive sempre e, como presente, está morto), lentamente ela perdia para mim sua aparência carnal, material, concreta, para cada vez mais se desfazer em lenda, em mito escrito sobre pergaminho e escondido numa caixa de metal depositada no fundo de minha vida”
– A Brincadeira, Milan Kundera.

Recomendado por meu amigo, Matheus. Agora na lista dos que eu devo ler.


mar 26 2012

Bastet

Chegara em casa cansada e abatida. Junto aos ombros, colo e nas pálpebras inferiores trazia a rastejarem pequenas mágoas. Cada qual possuía pequenas quelíceras, pedipalpos e ferrões que cavavam a pele e enterravam-se na carne.

Assim que abriu a porta, a gata doméstica veio-lhe ao encontro, esfregando-se na barra da calça. Brincava, como que valsando com seus sapatos e miando exigia veneração e oferendas.

Aproximou-se do sofá e desabou, espalhando ao chão as pequenas mágoas rastejantes. A gata parou por um momento a observá-los, mas por fim se lançou sobre elas, esviscerando, desmembrando e devorando-as todas.


jan 19 2012

A Contenda

Uma flâmula azul tremulando no horizonte foi o que me chamou atenção naquela tarde. Havia, é claro, nuvens de poeira e o clamor do aço contra o aço mas o cisne argênteo sobre o campo l’azure capturou meu olhar. Conhecia o estandarte, conhecia seu portador.

Saltei de sobre as muralhas e corri a seu resgate, temendo pelo pior. Mas sequer poderia se comparar ao que eu veria em campo: o cavaleiro, portando completa armadura de placas conduzia seu garrano violentamente contra um oponente idêntico a si.

O choque das lanças arremessava lascas de freixo, algumas tão extensas quanto meu antebraço, ao ar. Escudos tinham as tinturas gastas pelo embate e as placas aqui e ali apresentavam deformações diversos. Em lastimável estado se apresentavam os cavaleiros, ofegantes e exaustos da batalha.

Eu não podia ver suas faces e a falta de discernimento não permitiu-me tomar partido embora, nos movimentos de olhos e gestos de ambos os reconheci o guerreiro sob a armadura. Meu amigo duelava contra si, indeciso sobre desistir ou subjugar a si mesmo. De imediato, larguei a espada e adotei meu papel na contenda: seria eu a confortar o derrotado.


abr 11 2011

Valor de um Resgate

“Não há como resgatar os que morreram, Nihal. Não há no mundo qualquer tesouro bastante precioso para resgatar uma única vida.”
– Ido, em A Garota da Terra do Vento, Crônicas do Mundo Emerso

Nesta manhã, enquanto questionava o meu valor, surpreendi-me com este trecho. Acredito ainda que minhas dúvidas acerca de mim mesmo são válidas, mas perdem e muito o sentido quando comparadas àquelas sobre as pessoas que eu sofri em ver partir.

Lembrei-me de minha amiga, tão cheia de vida e radiância e intui, que sua vida – principalmente agora – é muito mais valiosa do que a minha, e de que qualquer outro tesouro que eu ousasse conquistar para resgatá-la seria em vão.

Me conforta somente o fato de que, um dia, valerá também a minha tal exorbitância. E por causa disto, não haverá ninguém capacitado a resgatá-la.


mar 9 2011

Obras em Vanaheim

Há um lar para os elfos chamado Vanaheim, o reino dos Vanir. É um lugar de prosperidade, de magia e beleza incrustado no seio verde de Asgard.

Por vezes mesmo os elfos precisam reconstruir suas moradas, expandir seu domínio e ocupar melhor os espaços. Fazem esta muda para que a prosperidade possa germinar ainda mais, amparada em sua dedicação e criatividade.

E é neste momento que os Æsir põe seus pés em Vanaheim, trazendo consigo martelos, trompas e seu notável vigor para o trabalho. Juntam-se as mãos e, mesmo que ao fim de uma era hajam cicatrizes e cansaço, o prêmio é imensurável.

Pois a palavra Vanir define a própria amizade.


mar 4 2011

Amar-te ia

Lembra quando nos vimos pela última vez?
Você me ofereceu um abraço e um beijo
e mesmo após longos anos sem nos falar
me convidou para beber contigo?

E eu todo ocupado respondi que gostaria,
mas não havia como, não tinha tempo.
“Talvez numa outra vez, talvez em junho”.
Mas junho nunca veio.

E você me olhou daquele jeito e eu percebi
que era o mesmo olhar que eu já conhecia.
E como se não quisesse que eu me fosse,
me abraçou.

É difícil pensar que iria acabar um dia,
e que aquele poderia ter sido nosso último café.
E me dói pensar que não terei outra chance
para abraçar você.

Eu deveria ter encontrado um tempo,
ter encontrado um jeito, ter parado de pensar.
Mas agora você se foi e aquela bebida é
muito tarde para aceitar.

Quantas vezes tentei corrigir meu erro,
e voltar àquele lugar, se você ainda estivesse lá
eu desejaria que não fosse tarde demais
para voltar.

Estes versos que eu tento escrever a meses são inspirados na partida de uma grande amiga minha em conjunto com a repetição quase incessante da música Cut Here, do the Cure.


mar 2 2011

Novidades

Nesta segunda recebi a notícia de minha aprovação no seletivo para o mestrado, acompanhado por um e-mail de minha orientadora questionando as disciplinas que eu gostaria de participar.

Enviei também um e-mail para uma amiga minha parabenizando-a pelo sucesso no Desafio Solar em que a equipe dela, estreante, ficou em quarto lugar. Recebi uma resposta bem-humorada e uma série de boas notícias.

E então me vi com novos objetivos, reavendo as amizades e animado novamente.

Obviamente não durou muito. Já ontem me deparei com a minha falta de vontade e o meu fatalismo exacerbado: não sei o porquê destes novos objetivos e pressinto que logo levantarei farpas contra os mais próximos novamente.


jan 4 2006

Quando foi que a vida ferrou a gente a ponto de esquecer como sorrir?

Ainda lembro de quando eu sabia sorrir; como o Logan e a Ororo eu sinto falta daqueles dias, mas não imagino as coisas diferentes agora. Eu ainda dou risadas de vez em quando… mas as verdadeiras são tão raras que eu me espanto e relembro o tempo em que eram comuns.
Lembro da noite em que eu notei pela primeira vez meu sorriso desaparecer. Estávamos ‘altos’, bem além da conta, mas dentro dos limites; ele estava assim por causa de uma garota, e eu também. Reflexos desiguais com horizontes distintos…

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jul 18 2005

Aqueles que Transformam a Minha Vida

Foi um final de semana turbulento; altos e baixos… eu estava preocupado com os lances da internação da minha mãe e os ânimos do pessoal lá de casa e acabei descontando em quem não devia (leia-se Ferio e Julie), mas eles foram pacientes e cuidadosos comigo; me acalmaram e me ergueram nos momentos em que eu mais precisei. Deus sabe o quanto eu devo a estes dois, e outros tantos amigos que não me deixam só na frente de combate.
O Ferio é um amigo de poucos anos, mas que parece me conhecer a vida inteira; já a Juliete é uma princesa como poucas, uma florzinha delicada e de espinhos pequeninos que enche meus olhos de radiância e minha mente de sonhos.
Espero um dia poder retribuir a eles toda esta dedicação

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