jan 19 2012

A Contenda

Uma flâmula azul tremulando no horizonte foi o que me chamou atenção naquela tarde. Havia, é claro, nuvens de poeira e o clamor do aço contra o aço mas o cisne argênteo sobre o campo l’azure capturou meu olhar. Conhecia o estandarte, conhecia seu portador.

Saltei de sobre as muralhas e corri a seu resgate, temendo pelo pior. Mas sequer poderia se comparar ao que eu veria em campo: o cavaleiro, portando completa armadura de placas conduzia seu garrano violentamente contra um oponente idêntico a si.

O choque das lanças arremessava lascas de freixo, algumas tão extensas quanto meu antebraço, ao ar. Escudos tinham as tinturas gastas pelo embate e as placas aqui e ali apresentavam deformações diversos. Em lastimável estado se apresentavam os cavaleiros, ofegantes e exaustos da batalha.

Eu não podia ver suas faces e a falta de discernimento não permitiu-me tomar partido embora, nos movimentos de olhos e gestos de ambos os reconheci o guerreiro sob a armadura. Meu amigo duelava contra si, indeciso sobre desistir ou subjugar a si mesmo. De imediato, larguei a espada e adotei meu papel na contenda: seria eu a confortar o derrotado.


abr 11 2011

Valor de um Resgate

“Não há como resgatar os que morreram, Nihal. Não há no mundo qualquer tesouro bastante precioso para resgatar uma única vida.”
- Ido, em A Garota da Terra do Vento, Cônicas do Mundo Emerso

Nesta manhã, enquanto questionava o meu valor, surpreendi-me com este trecho. Acredito ainda que minhas dúvidas acerca de mim mesmo são válidas, mas perdem e muito o sentido quando comparadas àquelas sobre as pessoas que eu sofri em ver partir.

Lembrei-me de minha amiga, tão cheia de vida e radiância e intui, que sua vida – principalmente agora – é muito mais valiosa do que a minha, e de que qualquer outro tesouro que eu ousasse conquistar para resgatá-la.

Me conforta somente o fato de que, um dia, valerá também a minha tal exorbitância. E por causa disto, não haverá ninguém capacitado a resgatá-la.


mar 9 2011

Obras em Vanaheim

Há um lar para os elfos chamado Vanaheim, o reino dos Vanir. É um lugar de prosperidade, de magia e beleza incrustado no seio verde de Asgard.

Por vezes mesmo os elfos precisam reconstruir suas moradas, expandir seu domínio e ocupar melhor os espaços. Fazem esta muda para que a prosperidade possa germinar ainda mais, amparada em sua dedicação e criatividade.

E é neste momento que os Æsir põe seus pés em Vanaheim, trazendo consigo martelos, trompas e seu notável vigor para o trabalho. Juntam-se as mãos e, mesmo que ao fim de uma era hajam cicatrizes e cansaço, o prêmio é imensurável.

Pois a palavra Vanir define a própria amizade.


mar 4 2011

Amar-te ia

Lembra quando nos vimos pela última vez?
Você me ofereceu um abraço e um beijo
e mesmo após longos anos sem nos falar
me convidou para beber contigo?

E eu todo ocupado respondi que gostaria,
mas não havia como, não tinha tempo.
“Talvez numa outra vez, talvez em junho”.
Mas junho nunca veio.

E você me olhou daquele jeito e eu percebi
que era o mesmo olhar que eu já conhecia.
E como se não quisesse que eu me fosse,
me abraçou.

É difícil pensar que iria acabar um dia,
e que aquele poderia ter sido nosso último café.
E me dói pensar que não terei outra chance
para abraçar você.

Eu deveria ter encontrado um tempo,
ter encontrado um jeito, ter parado de pensar.
Mas agora você se foi e aquela bebida é
muito tarde para aceitar.

Quantas vezes tentei corrigir meu erro,
e voltar àquele lugar, se você ainda estivesse lá
eu desejaria que não fosse tarde demais
para voltar.

Estes versos que eu tento escrever a meses são inspirados na partida de uma grande amiga minha em conjunto com a repetição quase incessante da música Cut Here, do the Cure.


mar 2 2011

Novidades

Nesta segunda recebi a notícia de minha aprovação no seletivo para o mestrado, acompanhado por um e-mail de minha orientadora questionando as disciplinas que eu gostaria de participar.

Enviei também um e-mail para uma amiga minha parabenizando-a pelo sucesso no Desafio Solar em que a equipe dela, estreante, ficou em quarto lugar. Recebi uma resposta bem-humorada e uma série de boas notícias.

E então me vi com novos objetivos, reavendo as amizades e animado novamente.

Obviamente não durou muito. Já ontem me deparei com a minha falta de vontade e o meu fatalismo exacerbado: não sei o porquê destes novos objetivos e pressinto que logo levantarei farpas contra os mais próximos novamente.


jul 18 2005

Aqueles que Transformam a Minha Vida

Foi um final de semana turbulento; altos e baixos… eu estava preocupado com os lances da internação da minha mãe e os ânimos do pessoal lá de casa e acabei descontando em quem não devia (leia-se Ferio e Julie), mas eles foram pacientes e cuidadosos comigo; me acalmaram e me ergueram nos momentos em que eu mais precisei. Deus sabe o quanto eu devo a estes dois, e outros tantos amigos que não me deixam só na frente de combate.
O Ferio é um amigo de poucos anos, mas que parece me conhecer a vida inteira; já a Juliete é uma princesa como poucas, uma florzinha delicada e de espinhos pequeninos que enche meus olhos de radiância e minha mente de sonhos.
Espero um dia poder retribuir a eles toda esta dedicação

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mar 2 2005

Morto o Dragão

Foi um longo final de semana, atribulado e stressante; mas nós vencemos. Eu digo nós porque boa parte da minha equipe ajudou, e ajudou bastante. A batalha me privou um tempo precioso dos meus amigos e da minha princesa, que também precisava bastante de mim.
E por isto eu peço perdão; a Dani que eu ainda pretendo responder, ao Toni e todo o povo do grupo de RPG de domingo, e também a Julie, claro.
O dragão me surpreendeu, mas eu não me desesperei, ao contrário, me planejei e investi contra ele, embora isto comprometesse a minha defesa. Mas foi um ataque planejado, em várias frentes, e nós vencemos; sem baixas, sem danos maiores.
E agora reparando a armadura arranhada.

Terminei o Peter Pan duas semanas atrás e li neste meio tempo um livro sobre animais fabulosos que comentarei aqui. E no momento, um livro mais técnico: the Zen of CSS Design, um belo estudo da equipe do CSS Zen Garden

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fev 1 2005

Final de Semana

Não há do que reclamar. Sabe, a minha irmã casou no sábado a noite e a festa estava decente (para uma festa de casamento, claro) além do que eu tive que participar como testemunha da união. Eu fiquei feliz por ela, claro; porque ela tem um rumo e está perseverante em trilhá-lo.
Eu também visitei alguns amigos na casa do Antônio e estamos planejando uma nova campanha de RPG baseada nas histórias que construímos na campanha anterior. Vai ser bom jogar novamente. Julie quer jogar conosco e isto foi o que me deu a inspiração.
Ganhamos um final de semana juntos; e eu não poderia esperar mais… ela fez com que dois dias ao seu lado parecessem um paraíso.

Mas a Semana Começou…
E as más notícias já estão chegando. Tenho amigos stressados e pouco pacientes e outros decepcionados e necessitando de apoio. Eu gostaria de estar ao lado de todos, mas mesmo que eu pudesse, que diferença isto faria?
E, apesar do que eu escrevi na sexta-feira, eu não me considero intolerante ou preconceituoso. Eu não culpo as pessoas pelas escolhas que fazem (ou mesmo as julgo por isto), mas eu realmente abomino a banalidade a que as palavras “amizade” e “amor” foram submetidas.
Mas acho que mudei, e já não faço tudo o que digo. E eu me arrependo disto, de perder uma certa sinceridade e boa vontade que outrora eu possuía. Quero culpar algo por isto, mas acho que só posso conservar (ou restaurar) o que eu era mantendo-me longe deste mundo concreto e prático

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out 13 2003

Nenhum de Nós

Nenhum de Nós

Fui ao show na Marejada na sexta. Nem o Open havia me empolgado tanto nos últimos tempos. Valeu enormemente a pena, pois o show estava ótimo e a compania era das melhores.
Dentre os eventos da noite, gostaria de mencionar um (com certeza o mais engraçado):
Estávamos o Ferio, a Milena, a Fátima e eu. Resolvemos pegar a mochila do Ferio no guarda volumes e deixamos as meninas na frente do barzinho. Claro que, ao retornar, três minutos depois, já haviam dois gaviões papeando com as garotas. Vale aqui ressaltar que somos somente bons amigos.
O Ferio se apressa e praticamente agarra a Milena, levando ela para um canto mais afastado, fazendo a maior cena. Eu chego junto e direciono aquele olhar nada amistoso aos dois manés, no maior estilo namorado ciumento. E depois olhei para a Fátima com aquele padrão de “o que está acontecendo aqui?
Um pouco surpresos com a nossa reação, os carinhas logo deram no pé… Nós mal podíamos nos conter e rimos um bom tempo por causa da reação deles. O Ferio deve comentar em seu blog o caso na visão dele, e deve ficar ainda mais engraçado.
Divertido… imensamente.

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out 7 2003

Jogando Xadrez

Bem… eu queria saber o que fazer. Parece que os amigos jogam xadrez em lados opostos do tabuleiro no qual eu sou uma peça cinzenta, nem preta, nem branca. Um pobre peão fugindo das torres gigantescas e dos bispos furiosos.
E eu cercado por duas torres que chocam-se e preparam-se para cair, desmoronar. E eu continuo entre elas… espada em punho. A avalanche cai sobre mim e eu sobrevivo. Mas não sei se sobra um círculo.

Bem, queria parabenizar a estrelinha, que estréia sua primeira exposição solo. Todo o sucesso e sorte do mundo para você, minha pequena elfa no alto da torre branca.

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