Desgraça
Ela cita Shakespeare como quem lê,
correntes de internet e não Sonetos…

Que venha a tormenta, sua chuva, ventania e trovões,
que atinja o campo de batalha com força e domínio,
e que seus raios me partam em inúmeras frações
libertando estas sendas de seu senhor mais sombrio.
Que os fragmentos de minh’alma possam então divididos,
ao invés de disputados; cada peça de mim um penhor
dentre meus combatentes mais valorosos então repartidos
meu pesar, minha mágoa e rancor.
Quando criança, sempre que a necessidade de algum reparo doméstico surgia meu pai me convocava a ajudá-lo. Era comum que eu ficasse por perto, ao lado da caixa de ferramentas e alcançasse ou segurasse para ele qualquer artefato ou ferramenta que necessitasse: resistências de chuveiro, chaves de fenda, fita isolante, um pouco de tudo.
Pouco a pouco meu pai me ensinava lições importantes a respeito. Nunca me pediu para colocar uma peça em seu lugar, ou segurando minhas mãos me orientou a apertar um parafuso; ao contrário evitou em me fornecer técnicas ou ferramentas para a manutenção que ele mesmo podia fazer.
Me privando disto, poderia imaginar que de nada aprendi. Mas ao contrário, meu pai ensinou-me as lições mais preciosas sobre serviço, presteza e diligência; princípios e valores que guiam meus passos ainda hoje.
De modo consciente ou não, meu pai forjou-me numa forma que o mundo nunca será capaz de dobrar.
Acompanhei a Inocência por breves períodos em minha vida. Quieta, surgia repentinamente, cruzava rapidamente meu caminho e se ia; ás vezes trocando uma ou duas palavras. Marcou meu ser, no entanto.
Inocência tem uma beleza vítrea, dificilmente compreendida. É frágil e inspira cuidados, uma observação silenciosa e distante. Os cabelos soltos acariciados pelo vento, um meio sorriso estampado em sua face e hoje um respeitável casaco branco. Beleza vítrea, distante.
Deixei a Inocência no alto de sua torre, envolta sob o abraço da noite e parti. Para não mais voltar. Trilho caminhos entre bosques escuros e vastidões a qual não ouse sua delicada consciência conceber.
Inocência permanece no alto de sua torre, envolta em vidro e proteção para que o mundo tenha a certeza de seu eterno sorriso.
Na última sexta-feira descobri que não consigo manter a mentira. Volta e meia a Verdade toca o meu ombro para lembrar-me do meu caminho, da minha escolha. Ela vem imponente, em sua túnica branca e dourada, com os cabelos cor-de-bronze soltos por sobre o ombro. Sua fisionomia é nobre e austera e a Verdade, esta senhorita de incrível beleza possui olhos penetrantes, que parecem desvendá-lo, como que dissecando em pedaços. Ela não julga, afinal o conhece como ninguém mais. Seus lábios são grossos e carnudos mas sua boca é estreita, a tez é suave e sem marcas e o corpo delgado de mulher feita
Alegria é uma mentira,
instante efêmero de sol
o qual tento convencer-me real,
traindo-me todas as virtudes.
Melancolia, minha única verdade,
aprisiona-me em teu leito,
cobre-me eternamente os lábios
de teu gosto férreo.
Esforça por iludir-me a vida,
tenta-me a traição e ao erro,
quando derrotada, contra a vontade
[ me retém.
Mas ao fim, justiça e verdade
libertar-me-ão do irreal
e cingir-me-ão entre os justos
inspirada na (ou compilada da) música de mesmo nome
Então o vento carrega o meu grito pelo ar
e para terras muito além das montanha
meu chamado que cavalga noite adentro,
para todos aqueles que tem esperança…
Porque as batalhas são preenchidas por aqueles
que têm coragem de acreditar, de esperar,
e se houver uma batalha, lá eu estarei.
Mas as batalhas são vencidas enfim,
por aqueles que encontram um coração,
Um coração para compartilhar.
“Don’t be afraid”, ele diz
ressalta o “r” como se fosse um trinado
um eco que avança pelos meus pensamentos
rompendo, violando as travas
“I’ll never hurt ya!”
Busco por sua voz na escuridão
mas parece vir de todo lugar
a minha volta… dentro de mim
O assoalho estala com o peso
ele se move, se esgueira
malicioso, furtivo e audaz
invisível aos meus olhos
Agarrados a mim eles gritam
todos eles, meus pequeninos sentimentos
tomados pelo medo, em pânico ou paralizados
e eu fraquejo
“Have you ever been alone at night?”
Ele se aproxima a passos leves
Com a certeza de que será vitorioso
sobre a minha vontade
“Have you run your fingers down the wall?”
O ar se torna gélido
os músculos se contraem, as pupilas dilatam
não pode haver fuga ou conforto
“Have you felt your neck skin crawl?”
Choro, lágrimas e tremores,
Suspiros e uma sensação estranha subindo a espinha
abraço a todos os pequenos com força
Mas quem poderia proteger a todos?
O menorzinho se esquiva, se desgarra e foge
ouço seus gritos desesperados
até que um baque surdo silencia sua voz
Não posso mais me conter, aguardar
o maldito medo que me oprime e encurrala
maldito vorme invisível que se move nas trevas
da minh’alma
PS: isto não tem muito a ver com meus últimos dias. Precisava postar esta há algum tempo já, afinal… uma semana para o dia fatídico. Medo? Não desta vez.
Não gosto de promessas… não gosto da esperança, da esperança vã que pode destruir um bom sentimento. Não quero esperar que as promessas se cumpram.
Eu nunca prometo. Ou pretendo não prometer. O mundo pode impedir que se possa realizar e isso vai fazer alguém sofrer.
Mas eu exigi a promessa… eu pedi por ela. Não deveria.
Não vou esperar que se cumpra. Se tiver de ser… que aconteça somente por acontecer.
Mas não vou cobrar… não quero ser uma lâmina para você.